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    Home»Economia»Petrobras deveria ser gerida como empresa privada ou estatal?
    Economia

    Petrobras deveria ser gerida como empresa privada ou estatal?

    Eita GotaBy Eita Gotaabril 8, 2024
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    Ícone Notícias

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    A crise no governo federal, que começou com o disse-me-disse entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, se agravou ao longo da semana passada, culminando na iminente saída do executivo à frente da estatal.

    Nomes para substituir Prates já estariam engatilhados. Entre
    eles estão Aloizio Mercadante, presidente do BNDES; Magda Chambriard,
    ex-diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP); Clarice Copetti,
    diretora de assuntos corporativos da Petrobras; e Bruno Moretti, secretário de
    análise governamental da Casa Civil.

    Mesmo com a rixa de longa data entre dois nomes de áreas-chave do governo, a forma polêmica e pública como a troca do comando da maior estatal do país está sendo conduzida preocupa o mercado e levanta novamente o debate: a Petrobras deveria ser gerida como estatal ou empresa?

    A atual fotografia mostra que não se encaixa em nenhuma. O
    governo dá as cartas, decide a distribuição de dividendos e quem fica no comando
    da empresa. Por outro lado, o presidente Lula até agora não se posicionou sobre
    a briga entre o ministro e o executivo, nem sobre o vazamento de informações da
    saída de Prates, o que é extremamente relevante para o mercado nacional e
    internacional, considerando que se trata também de uma empresa, com negócios,
    parceiros e acionistas.

    A conduta afasta e atrasa inclusive investimentos por conta
    da incerteza de como será a companhia daqui a um mês. “Essa sensação de
    instabilidade é muito ruim. O mercado internacional dá uma segurada nos seus
    investimentos aqui. No interno (Brasil) a confusão é maior, pois contamina não
    só o (mercado) do petróleo: as pessoas tiram dinheiro da bolsa, isso reflete na
    inflação”, avalia Armando Cavanha, consultor da área de petróleo e gás e
    professor da PUC-Rio.

    O especialista defende que a empresa deveria ser gerenciada
    de forma mais independente, olhando métricas de desempenho e não como
    instituição política.

    É a mesma linha do ex-presidente do Banco Central e
    ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A jornalistas em São Paulo, durante
    um evento nesta sexta-feira (5), ele disse que a Petrobras deve ser
    administrada como uma empresa, pois o governo não é o único acionista, informou
    o Valor.

    Já o diretor e fundador do Centro Brasileiro de
    Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, critica a posição de economia mista da
    companhia e defende que se saia “de cima do muro”, decidindo-se pela
    privatização ou estatização. Ele aponta, porém, que a última opção, onde há
    intervenção política, é um erro.

    “Nem são erros novos, são os erros de sempre: trocar
    presidente da empresa por brigas políticas dentro do governo, usar a empresa
    para financiar setores como a indústria naval e querer fazer política social
    subsidiando o preço dos combustíveis. É surreal ver declarações de que a
    Petrobras não deve estar preocupada com o lucro e sim com o seu compromisso
    social. A Petrobras faz política social quando paga royalties e impostos”,
    escreveu o analista em sua coluna em O Estado de S. Paulo.

    Solução alternativa prevê Mercadante na presidência do conselho da Petrobras

    O conflito entre Prates e Silveira ganhou tal proporção que
    o próprio executivo da Petrobras pediu reunião com o presidente Lula para
    definir sua situação e nomes teriam sido não apenas cogitados, mas sondados
    para substituí-los. Um deles é o de Aloizio Mercadante, atual presidente do
    Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Para evitar ruídos, Mercadante teria procurado Prates para
    avisar sobre a sondagem e esclarecer que não estava por trás de nenhuma
    operação, segundo o colunista Valdo Cruz, do G1.

    Uma solução alternativa encontrada na sexta à noite para manter Prates como CEO, que é visto operacionalmente como um bom gestor no mercado e para evitar mudanças drásticas, seria colocar Mercadante como presidente do Conselho de Administração.

    O presidente do BNDES ficaria no lugar de Pietro Mendes, que
    é braço direito de Silveira. Desta forma, Prates continuaria à frente da
    companhia cuidando do dia a dia e Mercadante seria o interlocutor com Lula. A
    decisão passa por Lula.

    Prates e Silveira, que vêm trocando farpas e compartilhando
    publicamente divergências desde o início do governo, teriam se comprometido a
    “cessar fogo”, o que não aconteceu na entrevista que o ministro deu na semana
    passada à Folha de São Paulo.

    Silveira reconheceu os debates acalorados, disse que a
    gestão da Petrobras deve ser respeitada, mas se esquivou ao ser questionado
    sobre a avaliação do comando da Petrobras: “Deixo a cargo do presidente da
    República”.

    Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, Prates pediu,
    na quarta-feira passada, uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da
    Silva (PT). Até agora, não foi atendido. Na sexta-feira, o presidente da
    Petrobras não participou da reunião do Conselho de Administração da empresa.

    Lula deve conversar
    sobre o assunto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda às 18
    horas. A reunião estava originalmente prevista para o domingo, mas acabou sendo
    cancelada pelo presidente. Segundo O Estado de S. Paulo, o ministro da Fazenda
    vem tentando se manter distante do duelo político entre Silveira e Prates.

    Especialistas apontam que o evento seria uma estratégia para
    distrair a atenção dos reais problemas energéticos. Enquanto desenrola a briga
    na alta cúpula do governo e o presidente permanece sem se pronunciar, outros
    eventos perdem holofote, como a própria distribuição dos dividendos
    extraordinários da Petrobras e o escândalo
    da Enel. A empresa está sob investigação por sucessivos apagões e pode
    perder a concessão.

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    Fonte: Notícias ao Minuto

    como deveria empresa estatal gerida Petrobras privada ser
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