Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Eita Gota
    • Home
    • Brasil
    • Economia
    • Esportes
    • Mundo
    • Política
    • Ver Mais
      • Nordeste
    • Alimentação e Saúde
    Eita Gota
    Home»Cultura»Como o exagero na decoração foi de brega à tendência – 01/02/2024 – Ilustrada
    Cultura

    Como o exagero na decoração foi de brega à tendência – 01/02/2024 – Ilustrada

    Eita GotaBy Eita Gotafevereiro 1, 2024
    WhatsApp Facebook Twitter Pinterest Email

    [ad_1]

    As paredes estão repletas de quadros. São 20 deles na sala e outros 19 no hall, cômodo que foi tomado por imagens de cachorros. O teto está coberto por papéis de parede, de modo que quase não há espaços vazios. Sobre o sofá e a poltrona, repousam almofadas com estampas variadas, que vão do floral ao listrado.

    Na casa dos atores Chay Suede e Laura Neiva, a regra de que menos é mais perdeu espaço e, no lugar dela, prevalece o maximalismo, estilo que vem conquistando famosos e anônimos. O apartamento do artista plástico Renato Dip é outro exemplo dessa tendência.

    Localizado na capital paulista, o imóvel de 220 metros quadrados é adornado por objetos tão variados quanto uma maraca, um pavão de bronze e uma escultura balinesa de 1902.

    “Tem gente que se sente um pouco perturbada pela quantidade de peças, mas é raro isso acontecer. Afinal, a gente vive num mundo cheio de coisas.” E todos esses objetos, diz Dip, não foram escolhidos ao acaso, uma vez que ele e seu marido têm ligação afetiva com os itens.

    “No nosso caso, é muito mais por aí do que simplesmente um colecionismo”, afirma o artista. “É claro que a beleza faz parte, mas eu acredito mais na beleza do encontro entre as peças.”

    Para o arquiteto Sig Bergamin, as pessoas estão apostando no maximalismo porque querem espaços que sejam um reflexo de suas personalidades. “Elas estão cansadas de casas impessoais. São lugares iguais, dos móveis às poltronas. As coisas estão muito parecidas”, diz Bergamin, autor do livro “Maximalism”.

    O arquiteto diz que esse tipo de decoração permite contar a história dos moradores por meio de quadros, cores e móveis, o que não é tão fácil em ambientes minimalistas. “É plasticamente muito bonito, mas é mais difícil de reconhecer as pessoas pela decoração.”

    Se hoje o maximalismo é usado para mostrar objetos afetivos, no passado era uma forma de ostentar riqueza. Os palácios ingleses da era vitoriana (1837-1901), por exemplo, eram conhecidos pela extravagância, com cores fortes, móveis opulentos e papéis de parede espalhafatosos.

    A França também não ficava atrás quando o assunto era exagero. Prova disso é o Palácio de Versalhes, um monumento ao poder e à riqueza do antigo regime.

    Esse estilo, porém, caiu em desgraça a partir dos anos 1920 por influência da Bauhaus – escola fundada em 1919 na Alemanha.

    A instituição ajudou a moldar os rumos da arquitetura contemporânea ao influenciar profissionais como Gregori Ilitich Warchavchik, que projetou em São Paulo a primeira casa modernista da América Latina, em 1927.

    Em contraposição ao exagero, a Bauhaus defendia a simplicidade das linhas puras e das formas geométricas. É nesse contexto que o conceito de menos é mais começa a ganhar força, aforismo do arquiteto alemão Mies Van Der Rohe.

    “Com tudo isso, passou a ser cafona ser maximalista. Mas, para mim, menos é chato”, diz Bergamin, em referência à frase de Robert Venturi, arquiteto que era detrator do minimalismo. “Com esse estilo, você não vê nada. Você não sente tesão.”

    O Pinterest lançou um relatório mostrando que o excesso de fato será uma das tendências de 2024. Com base nas pesquisa de mais de 480 milhões de usuários, a rede social identificou que os jovens apostarão em looks maximalistas para fugir do básico.

    O exagero também tem invadido o TikTok, rede na qual a hashtag “cluttercore” acumula mais de 12 bilhões de visualizações. Essa tendência usa o excesso de cores, objetos e texturas para criar uma aparente desordem.

    “Minimalismo é para gente rica. Eu sou pobre. Preciso ter coisas. É quem eu sou”, diz um dos internautas num vídeo que tem mais de 200 mil curtidas na rede da dancinha. No entanto, Bergamin avisa: Maximalismo não é bagunça.

    “Você tem que eliminar algumas coisas. Como tudo na vida, tem que ter rumo e curadoria. É uma desordem organizada.”

    Apresentadora do programa “Decora”, do GNT, a arquiteta Stephanie Ribeiro diz que o maximalismo de fato não deve ser confundido com falta de organização.

    “Uma coisa são casas de pessoas que sofrem com algum tipo de transtorno, como acumuladores, e outra coisa é uma casa com decoração, identidade e olhar estético.”

    De acordo com Ribeiro, o Brasil é um país maximalista por excelência, onde cores, tramas e texturas são prevalentes na decoração.

    Ela diz ter notado características parecidas nas diversas casas que visitou no país, do Sul ao Norte. “Havia renda, chita, fotos de família, toalhinha em cima de algum móvel, tapetes na cozinha. São coisas que trazem para a gente uma memória afetiva, mas que por muito tempo foram associadas a pessoas pobres.”

    Essa diferenciação social por meio da decoração pode ser vista inclusive na teledramaturgia. De acordo com a arquiteta, personagens ricos tendem a morar em casas mais minimalistas, enquanto pessoas pobres vivem em espaços coloridos e repletos de objetos.

    Como exemplo, ela cita “A Grande Família”, série na qual a casa do elenco principal era uma profusão de peças e cores.

    Ribeiro diz também que é possível observar a decadência do maximalismo ao longo dos anos por meio da teledramaturgia.

    Nos anos 1980, afirma ela, a decoração costumava ser mais ousada, inclusive nas casas de personagens ricos. Isso foi mudando a partir dos 2000, quando tons neutros passam a predominar.

    É uma estética ligada ao chamado estilo escandinavo, conhecido pelos tons frios e pela contenção estética.

    “Para muita gente, a sofisticação está associada ainda a esses padrões de bege, cinza e tons claros”, diz a arquiteta. “Mas, se a gente for olhar nas ruas, o Brasil não é um país neutro. A gente não é cinza ou branco. Então, por que precisamos associar a sofisticação à neutralidade?”

    Para ela, ocorre atualmente uma valorização da identidade nacional na decoração, motivo pelo qual o maximalismo tem conquistado adeptos.

    Outro ponto de inflexão, diz Ribeiro, foi a pandemia, quando muitas pessoas perceberam a importância de uma casa acolhedora em razão da quarentena.

    “O lugar onde a gente vive reflete muito o nosso psicológico e impacta nosso bem-estar”, afirma ela, acrescentando que o acesso a casas confortáveis deveria ser democratizado. “A gente tem o direito de viver bem e com dignidade. Isso não é luxo.”

    O design de interiores de fato tem virado um aliado na busca por qualidade de vida. Não à toa, a hashtag “dopamine decor” viralizou nas redes sociais ao apostar no maximalismo para estimular alegria e felicidade. Para isso, são usadas plantas em abundância, cores vibrantes e objetos reconfortantes.

    O americano Jonny Carmack sabe bem a importância da decoração para a saúde mental. Ele diz sofrer de ansiedade, razão pela qual decidiu fazer da própria casa um ambiente alegre. “O objetivo era torná-la um lugar difícil de ficar triste. Ter uma decoração tão divertida fez exatamente o que eu queria.”

    Repleta de tons de rosa e objetos vintage, a decoração remete à casa da Barbie, cenário que foi a inspiração do americano.

    “A vida fora da nossa bolha pode ser muito feia, então ter um espaço seguro para onde voltar é fundamental”, diz ele, para quem o imóvel é uma extensão de sua personalidade. “Sou meio estranho e fora do comum tanto quanto a minha casa. Ela é realmente a minha segunda pele.”

    [ad_2]

    Fonte: Uol

    arquitetura arquitetura brasileira arte bauhaus brega como decoração Design exagero foi folha Ilustrada modernismo tendência
    Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegram Reddit Email
    Previous ArticleDesafio LED + g1 abre inscrições para propostas de como resolver problemas educacionais com tecnologia; prêmios somam R$ 300 mil | Educação
    Next Article Gasolina, diesel e gás de cozinha sobem de preço com novas alíquotas de ICMS

    Related Posts

    Café puxa alta da Nestlé, que busca Brasil por meta de CO2 – 14/08/2024 – Café na Prensa

    agosto 14, 2024

    Pizza de larva de besouro faz Brasil campeão das comidas nojentas – 13/08/2024 – Cozinha Bruta

    agosto 13, 2024

    Sopa francesa de cebola é refeição revigorante para noites frias – 12/08/2024 – Receitas do Marcão

    agosto 12, 2024

    Já sentiu na taça o retrogosto do dinheiro? – 12/08/2024 – Isabelle Moreira Lima

    agosto 12, 2024

    Cliente pode comprar passagem em uma empresa e ser embarcado no avião de outra? Entenda como funciona

    agosto 12, 2024

    Identidade da cozinha italiana é artificial, diz livro – 12/08/2024 – Comida

    agosto 12, 2024
    Últimas Notícias

    Eleições 2024 em Macaé (RJ): veja os candidatos a prefeito e a vereador

    agosto 17, 2024

    Fies: CGU aplica primeira pena a instituição de ensino envolvida em esquema de fraude

    agosto 15, 2024

    Processos envolvendo Fies triplicaram de 2022 para 2023: ‘minha mãe vendeu uma casa de R$ 350 mil para eu cursar medicina’ | Educação

    agosto 15, 2024

    VÍDEO: Conheça o maior circuito de tirolesas da América Latina que chega a 400m de altura e até 120 km/h no ES | Norte e Noroeste – ES

    agosto 15, 2024
    Eita Gota

    Eita Gota é um Portal de Notícias com conteúdo diferenciado para os mais variados públicos. Qualidade da informação e notícias populares. Conta com Classificados e um Guia Comercial cheio de recursos.

    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest
    © 2026 Eita Gota | Todos os direitos reservados. | Desenvolvido por Network F5

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.