Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Eita Gota
    • Home
    • Brasil
    • Economia
    • Esportes
    • Mundo
    • Política
    • Ver Mais
      • Nordeste
    • Alimentação e Saúde
    Eita Gota
    Home»Culinária»A gastronomia construída sobre fake news – 01/03/2024 – Cozinha Bruta
    Culinária

    A gastronomia construída sobre fake news – 01/03/2024 – Cozinha Bruta

    Eita GotaBy Eita Gotamarço 1, 2024
    WhatsApp Facebook Twitter Pinterest Email

    [ad_1]

    Você provavelmente já escutou que a feijoada brasileira foi criada por trabalhadores escravizados, com os restos de carne que a casa-grande lhes destinava: orelha, rabo e pé de porco.

    Balela. Papo furado. Invenção sem pé (de porco?) nem cabeça. Os ricos daqueles tempos só comiam lombinho fresco no dia do abate do animal. As carnes restantes eram salgadas e defumadas para consumo futuro, e aí se incluíam as partes que hoje consideram-se inferiores.

    Não sobrava carne alguma para os escravos, essa é a verdade.

    Há décadas que ouço e leio a refutação dessa lenda da feijoada, mas ela subsiste. Volta e meia aparece um chef de cozinha ou comunicador propagando fake news sobre nosso prato nacional.

    Por essas e outras, cai muito bem a iniciativa de três historiadores que se dedicaram a pesquisar seriamente a origem de pratos famosos: o projeto Comer História, objeto de reportagem da Folha na última terça-feira (26).

    Tirar informação da própria orelha –o orifício permitido nesta leitura familiar– rende histórias fabulosas, bem mais empolgantes do que a realidade.

    Esta, por sua vez, tem nuances que dificultam a construção de uma historinha palatável. Também é cheia de lacunas que impedem a montagem completa do quadro. Faltam muitas peças do quebra-cabeça.

    Se reconstituir a sequência de fatos de uma guerra fartamente documentada já é dificílimo, imagine descobrir o que se passava nas cozinhas habitadas por gente analfabeta.

    A culinária sempre foi transmitida pela tradição oral, cheia de superstições e idiossincrasias e dogmas que ninguém ousava contestar.

    Por exemplo, havia (há) uma crença mais ou menos generalizada de que grelhar um bife em temperatura muito alta “sela” a carne. Ou seja, cria uma espécie de casca que impede a perda de umidade.

    Totalmente falso, e nem é preciso estudar física para verificar. A carne diminui, perde peso, e quase todo o peso perdido é de água (que você consegue ver evaporando na chapa).

    É desalentador que tais mitos sobrevivam em pleno 2024, quando o acesso ao conhecimento já se tornou corriqueiro.

    Cozinheiros ainda sobrevalorizam o aprendizado empírico e os ensinamentos de seus mentores, que aprenderam com mentores mais velhos. Tá certo, é assim que se perpetua um ofício, mas dá para aperfeiçoar um pouco o esquema.

    E assim você liga a TV e vê um chef famoso aconselhando a misturar azeite à manteiga para não a deixar queimar.

    É algo que foi repassado de geração em geração, desde sempre, apesar de nunca ter funcionado (os sólidos da manteiga se degradam no calor extremo, com azeite ou sem azeite).

    De volta à história da feijoada, é o tipo de coisa que surge na orelhada, numa mistura de sofisma com chute puro e simples.

    Hoje em dia rabo de porco é comida de pobre, coisa que dá nojinho em gente rica. A gente preenche as lacunas da história com a imaginação e conclui que a feijoada nasceu na senzala.

    Não interessa que em Portugal (por acaso, o país que colonizou o Brasil) haja um prato muito tradicional de feijões cozidos com carne de porco (por acaso, ele se chama feijoada).

    Só muda a cor do feijão.


    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    [ad_2]

    Fonte: Folha de São Paulo

    alimentação alimentos Bruta Comida construída Cozinha FAKE fake news feijoada folha gastronomia história News sobre
    Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegram Reddit Email
    Previous ArticleA gastronomia construída sobre fake news – 01/03/2024 – Cozinha Bruta
    Next Article Haddad comemora PIB e estima melhora na indústria em 2024

    Related Posts

    Pratos para dividir são a nova aposta dos restaurantes – 14/08/2024 – Restaurantes

    agosto 14, 2024

    Café puxa alta da Nestlé, que busca Brasil por meta de CO2 – 14/08/2024 – Café na Prensa

    agosto 14, 2024

    Pizza de larva de besouro faz Brasil campeão das comidas nojentas – 13/08/2024 – Cozinha Bruta

    agosto 13, 2024

    Le Cordon Bleu harmoniza hambúrgueres e cervejas em evento – 13/08/2024 – Restaurantes

    agosto 13, 2024

    Sopa francesa de cebola é refeição revigorante para noites frias – 12/08/2024 – Receitas do Marcão

    agosto 12, 2024

    Já sentiu na taça o retrogosto do dinheiro? – 12/08/2024 – Isabelle Moreira Lima

    agosto 12, 2024
    Últimas Notícias

    Eleições 2024 em Macaé (RJ): veja os candidatos a prefeito e a vereador

    agosto 17, 2024

    Fies: CGU aplica primeira pena a instituição de ensino envolvida em esquema de fraude

    agosto 15, 2024

    Processos envolvendo Fies triplicaram de 2022 para 2023: ‘minha mãe vendeu uma casa de R$ 350 mil para eu cursar medicina’ | Educação

    agosto 15, 2024

    VÍDEO: Conheça o maior circuito de tirolesas da América Latina que chega a 400m de altura e até 120 km/h no ES | Norte e Noroeste – ES

    agosto 15, 2024
    Eita Gota

    Eita Gota é um Portal de Notícias com conteúdo diferenciado para os mais variados públicos. Qualidade da informação e notícias populares. Conta com Classificados e um Guia Comercial cheio de recursos.

    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest
    © 2026 Eita Gota | Todos os direitos reservados. | Desenvolvido por Network F5

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.