Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Eita Gota
    • Home
    • Brasil
    • Economia
    • Esportes
    • Mundo
    • Política
    • Ver Mais
      • Nordeste
    • Alimentação e Saúde
    Eita Gota
    Home»Cultura»Helena Solberg lança longa sobre ser mulher no Brasil – 31/03/2024 – Ilustrada
    Cultura

    Helena Solberg lança longa sobre ser mulher no Brasil – 31/03/2024 – Ilustrada

    Eita GotaBy Eita Gotamarço 31, 2024
    WhatsApp Facebook Twitter Pinterest Email

    [ad_1]

    O ano era 1964, início da filme ditadura militar no Brasil. Helena Solberg havia queimado as trezentas páginas de uma novela escrita na juventude e desistido de ser escritora. Estava casada e tinha um filho pequeno, mas não trabalhava nem se identificava com a vida de dona de casa.

    Foi então que começou a entrevistar uma série de mulheres sobre casamento, virgindade, sexo, felicidade, amor. As entrevistadas eram suas contemporâneas, pertenciam às classes média e alta do Rio de Janeiro, tinham entre 19 e 27 anos e, para tratar de temas tão íntimos, tabus mesmo, preferiam conversar a portas fechadas, não aceitando serem filmadas.

    Nascia assim “A Entrevista”, curta lançado em 1966. Glória Solberg, então cunhada da cineasta, foi a única que topou mostrar o rosto, tornando-se protagonista. A ousadia e a originalidade do curta foram reconhecidas nos festivais internacionais por onde o filme passou.

    Meio século depois, Helena Solberg recebe uma mensagem da jornalista italiana Beatrice Andreose, uma lata com o curta de 1966 tinha sido encontrada no armário de uma escola da comuna de Este, em Pádua, na Itália. “A Entrevista” havia sido exibido no Festival dei Popoli e recebido o Premio dei Colli, destinado a documentários.

    A película, surpreendentemente bem preservada, fala da condição da mulher nos anos 1960, e Andreose pede que a cineasta lhe descreva a situação atual. Foi o pretexto para iniciar a realização de “Um Filme para Beatrice”, documentário de longa-metragem que estreia agora no festival É Tudo Verdade.

    Duas narrativas estruturam o novo filme. Há, de um lado, a reflexão sobre questões que ocupam as mulheres latino-americanas nos últimos cinquenta anos: dupla jornada de trabalho, virgindade, violência sexual, liberdade. Do outro lado está a trajetória da própria cineasta, vista através de imagens de alguns de seus dezoito filmes. As duas narrativas são na verdade inseparáveis, já que a condição da mulher se revela uma preocupação constante na obra de Helena Solberg.

    A entrevista à Folha, feita por videoconferência, começa com uma questão sobre a coerência de seu cinema. O tema não chega a ser tabu, mas incomoda a entrevistada. Ela nunca pretendeu fazer uma autobiografia e, em “Um Filme para Beatrice”, resistiu antes de aceitar colocar-se em cena.

    “É difícil olhar a própria obra e analisá-la”, diz ela. “Com esse filme, eu estava preocupada em chegar ao presente, em como estão as mulheres agora”, diz. E como estamos? “A gente dá um passo à frente e dois para trás, as coisas não se resolvem. Isso porque a mulher quer algo muito ambicioso, uma mudança que atinge a estrutura de toda a sociedade.”

    Se Helena Solberg costuma ser identificada como rara ou única mulher do Cinema Novo, não é assim que ela se apresenta no filme. “Pertenço à geração do Cinema Novo e era muito próxima de alguns cineastas”, diz.

    De fato, Glauber Rocha ajudou-a a conseguir financiamento para “A Entrevista”, Mário Carneiro assina a direção de fotografia do filme e Joaquim Pedro de Andrade deixou que ela acompanhasse as filmagens de “O Padre e a Moça” (1966), uma escola de cinema intensiva. Isso, porém, não a impede de reconhecer o machismo que existia. “Era um clube do bolinha? Era. E eles eram machistas, sim. Mas isso estava na sociedade como um todo”, afirma.

    A cineasta tinha pouco mais de 30 anos quando se muda para Washington, casada e com dois filhos, de 9 e 7 anos. É um choque. O movimento feminista enchia as ruas e ela tentava pensar em estratégias para continuar a fazer cinema no novo país, com poucos contatos e uma vida mais doméstica.

    Colocou um anúncio num quadro de avisos em busca de voluntárias para pesquisar feminismo e o coletivo que se formou deu origem ao média “The Emerging Woman” (1975), dedicado “às mulheres dos últimos 200 anos, cuja luta tornou possível o surgimento da nova mulher”. Não parou de filmar, sobretudo mulheres.

    O feminismo de Helena Solberg não segue uma cartilha estrita e é, como ela diz, “muito amplo”, pois “envolve a sociedade como um todo, atingindo homens e mulheres”. Pode surpreender o fato de ela incluir entrevistados homens ou dedicar uma sequência de “Um Filme para Beatrice” a David Meyer, a quem apresenta como “companheiro, marido e amigo”.

    Meyer e Solberg se conheceram durante a realização de “Nicarágua Hoje” (1982). Ele, então jornalista, estava de partida para a Nicarágua e fez as entrevistas que faltavam para completar o documentário. De lá para cá, ele, que também é cineasta, colaborou em todos os projetos de Solberg.

    Os dois atuaram juntos em “Carmen Miranda: Bananas is my Business”, premiado nos festivais de Brasília, Havana e Chicago, entre outros. Considerado uma “biografia afetiva”, o filme sobre a cantora e atriz luso-brasileira traz à tona outra questão cara a Solberg, o convívio com o olhar estrangeiro que exotiza as latino-americanas nos Estados Unidos.

    Depois de anos de um reconhecimento rarefeito por parte da crítica e da historiografia do cinema no Brasil, a volta de Solberg ao país coincide a um momento de maior atenção sobre sua obra, que inclui o livro “Helena Solberg: Do Cinema Novo ao documentário contemporâneo”, publicado por Mariana Tavares em 2014, e uma retrospectiva integral realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil.

    No balanço geral que “Um Filme para Beatrice” propõe sobre sua trajetória e sobre a condição da mulher, não há espaço para lamentos. “Nunca me senti ausente nem injustiçada. O que eu queria era fazer cinema e saber mais sobre quem somos”, diz. Esse é realmente o tom do documentário que chega às telas.

    Aos 85 anos, a cineasta convoca interlocutores como a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, a crítica feminista Heloísa Teixeira —que antes usava o sobrenome do marido, Buarque de Hollanda— e o professor Guilherme Pereira, mais conhecido como Rita von Hunty —no filme, por um pedido de Solberg, é principalmente Guilherme que ouvimos. Nas conversas, comemoram-se as possibilidades dos tempos atuais, menos limitadores em relação à sexualidade e às expectativas.

    No início de nossa entrevista, quis pedir-lhe que refletisse sobre a própria obra, que olhasse para o passado, e o incômodo surgiu. Nada menos sintonizado com os interesses de Solberg, que vive com os dois pés no presente e um olhar curioso sobre o futuro.

    [ad_2]

    Fonte: Uol

    antifeminismo Brasil cinema Cinema Novo coletivo feminista documentário é tudo verdade empoderamento-feminino feminismo feminista folha Glauber Rocha Helena helena solberg Ilustrada lança longa machismo mostra de cinema Mulher Rita Von Hunty ser sobre Solberg todas
    Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegram Reddit Email
    Previous ArticleLetícia Birkheuer acusa o ex-marido de agressão – 31/03/2024 – Ilustrada
    Next Article Diogo Vilela reclama falta de convites para fazer novelas – 31/03/2024 – Televisão

    Related Posts

    Brasileira sofre golpe do policial corrupto em Angola e causa mudanças no país; veja dicas para não ser vítima | Turismo e Viagem

    agosto 15, 2024

    Por que a Disney alega que assinante do Disney+ não pode processar empresa por morte da mulher em parque

    agosto 14, 2024

    Em 20% dos municípios do Brasil, alunos do 5º ano da rede pública não sabem somar moedas de R$ 0,50 ou converter 1 hora em minutos | Educação

    agosto 14, 2024

    Café puxa alta da Nestlé, que busca Brasil por meta de CO2 – 14/08/2024 – Café na Prensa

    agosto 14, 2024

    Pizza de larva de besouro faz Brasil campeão das comidas nojentas – 13/08/2024 – Cozinha Bruta

    agosto 13, 2024

    Sopa francesa de cebola é refeição revigorante para noites frias – 12/08/2024 – Receitas do Marcão

    agosto 12, 2024
    Últimas Notícias

    Eleições 2024 em Macaé (RJ): veja os candidatos a prefeito e a vereador

    agosto 17, 2024

    Fies: CGU aplica primeira pena a instituição de ensino envolvida em esquema de fraude

    agosto 15, 2024

    Processos envolvendo Fies triplicaram de 2022 para 2023: ‘minha mãe vendeu uma casa de R$ 350 mil para eu cursar medicina’ | Educação

    agosto 15, 2024

    VÍDEO: Conheça o maior circuito de tirolesas da América Latina que chega a 400m de altura e até 120 km/h no ES | Norte e Noroeste – ES

    agosto 15, 2024
    Eita Gota

    Eita Gota é um Portal de Notícias com conteúdo diferenciado para os mais variados públicos. Qualidade da informação e notícias populares. Conta com Classificados e um Guia Comercial cheio de recursos.

    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest
    © 2026 Eita Gota | Todos os direitos reservados. | Desenvolvido por Network F5

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.